O impacto de 13 reasons why nas famílias brasileiras

Precisamos falar sobre suicídio adolescente, sobre os últimos suicídios de alunos de grandes escolas de São Paulo e, claro, sobre 13 Reasons Why que estreia sua segunda temporada dia 18 de maio.

No final de março a Universidade Northwestern divulgou uma pesquisa global sobre as conversas que foram iniciadas pela série 13 Reasons Why, da Netflix. O estudo, que também inclui uma visão mais profunda sobre o Brasil, explorou temas como suicídio, bullying, violência sexual e todo o diálogo gerado, além das mudanças de comportamento em adolescentes, pais e professores com relação a estes e outros temas que estão afetando a juventude de hoje.

A Netflix reuniu especialistas e influencers de vários países em painéis específicos para debater sobre a série e os resultados da pesquisa. E EU ESTAVA LÁ!

13 reasons why pesquisa netflix

O Centro de Mídia e Desenvolvimento Humano da Universidade Northwestern buscou entender o papel que a série 13 Reasons Why teve em motivar conversas entre pais e adolescentes sobre temas difíceis, assim como seu efeito no comportamento e nas atitudes dos espectadores com relação a esses temas. Depois de pesquisar mais de 5000 adolescentes e pais em cinco países, incluindo o Brasil, o estudo da Northwestern descobriu que a série motivou conversas sobre assuntos difíceis. Os resultados, incluindo o relatório completo e o press release distribuído pela Universidade Northwestern, podem ser encontrados aqui (em inglês).

Depois de pesquisar mais de 5000 adolescentes e pais em cinco países, incluindo o Brasil, o estudo da Northwestern descobriu que a série motivou conversas sobre assuntos difíceis.

“Explorando Como Adolescentes e Pais Reagiram a 13 Reasons Why”

A pesquisa, intitulada “Explorando Como Adolescentes e Pais Reagiram a 13 Reasons Why”, foi encomendada pela Netflix e aprovada pelo Comitê Institucional de Revisão da Universidade Northwestern, que analisou pais, adolescentes e jovens adultos entre 13 e 22 anos nos Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Austrália e Nova Zelândia para determinar como o público percebeu, se relacionou e foi influenciado pela popular série da Netflix.

Os resultados da pesquisa indicam que a série serviu como uma ferramenta educacional para os jovens, além de promover diálogo entre pais e filhos e inspirar compaixão entre os espectadores adolescentes.

Principais descobertas no Brasil: (grifos meus)

● 74% dos espectadores adolescentes e jovens adultos relataram que pessoas de sua faixa etária lidam com questões similares às apresentadas na série, e 76% disseram que assistir à série foi benéfico para pessoas de sua idade.

● Mais de três quartos dos espectadores adolescentes relataram que a série os alertou para a possibilidade de que alguém próximo possa estar sofrendo de depressão, mesmo que os sinais não sejam aparentes.

● A maioria dos espectadores adolescentes e jovens adultos disse que a série os ajudou a compreender melhor questões como depressão, suicídio, bullying e violência sexual; além disso, espectadores adolescentes relataram ter buscado informações sobre esses assuntos.

● 74% dos espectadores adolescentes e jovens adultos acham que a intensidade da série foi apropriada para eles.

Cerca de 90% dos espectadores adolescentes e jovens adultos relataram que a série os ajudou a entender que suas ações podem ter impacto na vida dos outros; mais da metade dos espectadores adolescentes (60%) pediu desculpas a alguém a quem havia maltratado; e a mais de dois terços se sentiu motivada para ajudar alguém que estava deprimido, era vítima de bullying e violência sexual.

● Entre os pais que assistiram à série e conversaram sobre ela com seus filhos, 71% relataram que a série facilitou a abordagem de questões difíceis e fez com que assuntos delicados como depressão, suicídio e violência sexual fossem discutidos.

● A maioria (75%) dos pais acha que deveria haver informações complementares, como o parecer de profissionais de saúde mental ao final de episódios difíceis (74%), e manifestações do elenco fora de seus personagens fornecendo informações ao final de episódios específicos (65%).

● Adolescentes mais jovens e adolescentes com níveis mais altos de ansiedade social relataram que se sentiram mais à vontade para discutir esses temas difíceis com seus pais, colegas e outros adultos de confiança após assistir a 13 Reasons Why.

Os especialistas da pesquisa

“Ficamos surpresos com os resultados encontrados”, disse Alexis Lauricella, coautora do relatório e diretora associada do Centro de Mídia e Desenvolvimento Humano da Northwestern.

“Adolescentes relataram que a série os fez pensar sobre o impacto de suas ações nos outros, e alguns até mesmo pediram desculpas a colegas pela forma como os tratavam. Dada a fase altamente egocêntrica pela qual estão passando os adolescentes, foi impressionante vê-los levando em consideração como os outros estão se sentindo.”

“Embora muitos adolescentes e jovens adultos tenham tido uma atitude positiva em relação à série, é importante apontar que nem todos os indivíduos tiveram a mesma reação”, completou Lauricella.

Adolescentes que sofrem de alta ansiedade social, por exemplo, demonstraram uma tendência maior em concordar que a intensidade da série estava adequada para eles. Entretanto, esses mesmos adolescentes também mostraram maior tendência a relatar que as cenas de violência sexual foram intensas demais.

Falei aí em cima sobre os suicídios de alunos nas escolas de SP… e fico pensando a pressão que esses jovens sofrem desde o momento em que entram para esse tipo de instituição. No dia-a-dia são cobrados por performance, precisam ser melhores que os outros. 

Fora isso, eles vivem pressões e mudanças típicas da fase e são, de fato, uma bomba relógio emocional.

Soma-se ainda, a terceirização da educação, as agendas lotadas de compromissos e a falta de tempo livre para simplesmente pensar sobre a vida ou não fazer NADA.

Tornam-se adultos ansiosos e que não sabem lidar com o ócio nem com as as rejeições. É realmente muito complicado.

“Pode ser que apenas alguns poucos indivíduos discordem ou não se enquadrem no panorama geral devido a características individuais específicas, mas é importante considerar essas pessoas quando estamos falando de programas dessa natureza”, disse Drew Cingel, colaborador de pesquisa no Centro de Mídia e Desenvolvimento Humano e professor assistente da Universidade da Califórnia em Davis.

“Essas descobertas indicam que programas que lidam com questões difíceis, como 13 Reasons Why, podem ajudar crianças e adolescentes a falarem sobre esses agentes estressores de sua vida.”

O painel brasileiro

Talita Rebouças foi a mediadora da conversa entre a psicóloga Dra Karen Scavancini, Thiago Tavares da Safernet e eu.

13 Reasons Why

Talita Rebouças queridaaaaa

O bate-papo foi em torno da identificação do bullying e como isso pode ter consequências mais sérias no dia-a-dia dos jovens, podendo levar ao suicídio.

Dra Karen ressaltou a importância de se falar sobre o tema e destacou a presença do tema na mídia de forma positiva para desmistificar e trazer os assuntos correlatos às discussões (bullying, abuso sexual, consumo de drogas e álcool).

Thiago Tavares falou sobre a internet ser o espelho da sociedade e que a repercussão mostra que é algo que precisa ser dito mas, especialmente, orientado com informações de qualidade. E há aqui um site com instruções valiosas para lidar com o tema suicídio.

E eu falei sobre como a série pode nos ajudar a ensinar sobre empatia. Falei da escola dos meus filhos (que tem vários alunos de inclusão) e que eles estão o tempo todo atentos a entender o papel do outro no contexto comum.

Saímos de lá com uma sensação boa de que com informação de qualidade, olhos atentos e cuidado, podemos fazer mais pelos nossos filhos e jovens do convívio.

Speakers e equipe Netflix nesse dia incrível <3

A segunda temporada de 13RY

Sim, estreia agora, dia 18/05 e estou MUITO ansiosa.

Vejam o teaser divulgado pela Netflix:

Não podemos deixar o tema ser ofuscado pelo preconceito ou por ser díficil. Quanto mais falarmos mais poderemos lidar com ele.

Nos vemos de novo depois da estreia!

beijos
Lele

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